Nestlé alerta para crise alimentar pior do que em 2008
Mais afetados pelo aumento dos preços são cidadãos dos países mais pobres que dedicam 80% da sua remuneração à alimentação
14-08-12
O presidente da Nestlé deixa o alerta: o mundo enfrenta uma maior crise do que a registada em 2008. Tudo por causa da subida de preços dos alimentos, em consequência do aumento da terra dedicada à produção de biocombustíveis.
«A Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO) chegou às mesmas conclusões do que tenho vindo a dizer há muitos anos: que não se ocupe a terra para a produção de biocombustíveis já que se perde para a alimentação», disse o presidente da Nestlé, ao diário austríaco «Wiener Zeitung», citado pela Lusa.
Peter Brabeck-Letmathe referia-se à questão de a FAO ter solicitado recentemente aos países para mudar as suas políticas sobre os biocombustíveis devido ao perigo de uma crise alimentar.
A FAO tem vindo a alertar para o constante aumento dos preços dos alimentos nos últimos anos, especialmente os cereais e o açúcar, já que afetam os países em vias de desenvolvimento que dependem da importação desses produtos para alimentar as suas populações.
Por trás do aumento dos preços «há grupos de pressão muito fortes e altos subsídios e, por isso, prevejo uma crise alimentar com consequências mais desastrosas do que aconteceu em 2008».
O presidente da Nestlé recordou que os mais afetados pelo aumento dos preços são os cidadãos dos países mais pobres que dedicam 80% da sua remuneração à alimentação.
«A Europa pode aguentar a subida dos preços, mas em África e grande parte da Ásia, a situação é diferente».
Coreia do Norte recebeu mais de 2.000 toneladas de farinha da Rússia
15.08.2012,
O porto Chondin na Coreia do Norte recebeu mais de 2.000 toneladas de farinha da Rússia.
Este é o segundo lote da ajuda humanitária para a Coreia do Norte que este verão primeiramente sofreu de uma seca mais grave, e a seguir de inundações destrutivas. Mais de 100 pessoas foram mortas nos desastres, dezenas de milhares ficaram sem abrigo. Muitas terras agrícolas foram inundadas.
As consequências dos elementos forçaram a Coreia do Norte no início de agosto para procurar assistências das Nações Unidas, pedindo alimentos e combustível.
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5.07.2012
Seca nos EUA contribui para aumento dos preços do trigo russo
A seca nas regiões agrícolas dos EUA e a diminuição das previsões de safra de cereais na Rússia levaram a um brusco aumento do preço do trigo produzido no sul da Federação Russa. A continuação desta tendência negativa pode ter sérias consequências para o mercado mundial de alimentos.
Segundo os dados do Instituto da Conjuntura do Mercado Agrícola, os preços do trigo de 4ª categoria chegaram na terça-feira a 278 dólares a tonelada, apesar de, há uma semana, eles não ultrapassarem os 260 dólares. O diretor geral do ICAR, Dmitri Rilko, não exclui que nas próximas semanas o preço suba mais 10-20 dólares. Tais aumentos de preço em meados do verão não são habituais. Algo semelhante tinha sido observado em 2010, um ano de seca na Rússia.
Agora também há ameaça de seca, só que não é na Rússia, mas nos EUA. Nas regiões produtoras de soja e milho há algumas semanas que o tempo está seco e quente. Dmitri Rilko esclarece a ligação entre milho e a soja com o trigo russo:
“A soja e o milho são duas culturas produzidas em grandes volumes, de cuja oferta depende a situação nos mercados de grãos e oleaginosas, inclusive no mercado do trigo. O aumento dos preços do trigo russo, que nós vemos no decorrer das duas últimas semanas, está relacionado em 50% como o fato de os preços nos mercados mundiais estarem aumentando, antes de mais nada do milho nos EUA”.
A continuação da seca nos EUA pode vir a provocar sérios problemas – considera Dmitri Rilko:
“A seca nos EUA, se continuar durante mais algumas semanas, irá ameaçar seriamente o mercado mundial. Porque a China depende muito dos EUA. Tudo o que se refere à segurança alimentar da China é um fator muito sério, que influi sobre todo o mercado mundial.”
O aumento dos preços mundiais só favorece os exportadores de cereais russos. O potencial de exportação nesta temporada será inferior ao da passada: 17-20 milhões de toneladas e 2012, contra 27 milhões de toneladas na temporada passada. Isto é, o aumento dos preços ajudará a compensar a redução dos volumes. Mas o encarecimento do trigo não promete nada de bom ao consumidor russo, conforme explica Arkadi Zlotchevski, presidente da União Russa de Cereais.
“Os cereais são uma percentagem bastante pequena do custo de produção do pão. Por exemplo, atualmente, o valor do cereal representa apenas 15% do custo de produção de um pão. Na carne é um pouco mais – 20% – no máximo 23%. O aumento dos preços dos cereais é usado como pretexto para aumentar os preços dos produtos alimentares em geral”.
Tal já aconteceu – quando os cereais aumentam, os preços dos produtos alimentos também crescem inevitavelmente. Mas nunca se observou uma tendência contrária. Em 2009, os cereais diminuíram de preço em 3 vezes mas isto não se refletiu nos preços dos alimentos.
O aumento dos preços de grãos e do açúcar pode causar uma crise alimentar que será mais profunda e imprevisível do que a que estourou em 2007-2008. O perigo iminente obrigou a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) a publicar informação que geralmente é confidencial – o índice da dinâmica dos preços dos alimentos.
13.08.2012
Agora este índice aproxima-se do pico histórico alcançado em 2011. Mas os preços dos alimentos continuarão subindo até que isso for rentável para as autoridades financeiras internacionais, dizem especialistas.
Em fevereiro do ano passado, o índice agregado de preços para produtos alimentícios elevou-se a 238 pontos pelo método de cálculo da FAO. Depois de alguma redução, em julho de 2012 esse número subiu bruscamente de uma vez 6% e atingiu 213 pontos. Previsões ruins para safra de trigo na Rússia, milho e outros cereais nos EUA, arroz na Índia e açúcar no Brasil, naturalmente, refletem no custo da refeição. Mais precisamente – no seu aumento significativo.
Os analistas da FAO lembram que a última crise alimentar provocou revoltas nos 30 países mais pobres do mundo que justificadamente temem uma repetição da situação no futuro próximo. No entanto, alguns estados, sobretudo no Sudeste da África, já estão em estado de choque devido à escassez de alimentos, disse o gerente dos projetos do fundo de investimento Hi Capital Corporation, Anton Lubitch. E, infelizmente, o desenvolvimento dos eventos deixa poucos motivos para otimismo, disse ele em uma entrevista à Voz da Rússia:
“Os alimentos vão certamente ficar mais caros por dois motivos: em primeiro lugar, devido ao fato de haver uma disparidade no crescimento populacional entre os países produtores e países consumidores. Não é nenhum segredo que os países onde há fome se caracterizam por um crescimento populacional relativamente alto, embora com alta mortalidade. O segundo fator é certamente o bombeamento inflacionário da economia com dinheiro. Enquanto as autoridades financeiras do mundo, principalmente a Reserva Federal dos EUA, o Banco Central Europeu e o FMI se divertem, jogando na “roleta da inflação,” os preços dos alimentos, bem como dos outros bens, vão crescer mais rápido que as taxas de inflação.”
Enquanto isso, os analistas da ONU sugerem medidas razoáveis que ajudariam se não a evitar a crise alimentar, pelo menos a parar a queda de alguns países em direção a uma catástrofe humanitária. Assim, o diretor da FAO, Graciano José da Silva, exortou os EUA a reduzir temporariamente a produção de álcool destinado aos biocombustíveis – para isso geralmente se gasta até 40% da safra de milho. Esta ação irá permitir enviar mais milho para alimentação humana e animal.
Por sua vez, o perito da nossa companhia de rádio, Anton Lubitch, observa que a redução na produção de biocombustíveis nos EUA vai reduzir o aumento do custo do milho e do açúcar. Para os países, onde a parte substancial da população está passando fome, isto seria importante para impedir o crescimento dos preços dos alimentos e, consequentemente, aumentar sua disponibilidade para as pessoas. Mas o secretário da Agricultura dos EUA, Tom Vilsek disse que a suspensão da produção de álcool, provavelmente, não resultará em preços mais baixos para os grãos e o açúcar. Além disso, nos Estados Unidos, esta indústria gera empregos e mantém sob controle os preços da gasolina.
Segundo analistas das Nações Unidas, se a comunidade internacional ainda permitir uma nova crise alimentar, as suas consequências serão imprevisíveis. Em alguns países a situação não se limitará só a revoltas das pessoas com fome, o desastre poderá alastrar e terá também consequências para os atuais donos da situação.
O mundo está à beira de uma crise alimentar
O mundo está enfrentando a ameaça de uma nova crise alimentar: o verão mais seco em 50 anos nos EUA e condições climáticas desfavoráveis em outros países já fizeram crescer os preços de muitos tipos de produção agrícola até níveis recorde, escreve o Financial Times.
Na quinta-feira, os preços do milho e soja atingiram valores recorde, superando as taxas máximas registradas durante a crise alimentar anterior – em 2007-2008. Na altura, o alto custo e a escassez de alimentos levaram a motins alimentares em mais de 30 países.
O trigo ainda não atingiu os preços históricos máximos, mas nas últimas cinco semanas ele aumentou mais de 50%.
Em 2007-2008, o número de pessoas com fome no mundo superava 1 bilhão. Este ano, poderá se tratar de uma catástrofe ainda mais grave.
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