Mario Monti e Mariano Rajoy

Professor da Faculdade de Economia do Porto revela precaução sobre reacção dos mercados a mega-resgate de 750 mil milhões de euros

20/06/2012 | 13:25 | Dinheiro Vivo

Crescem os receios de que Espanha e Itália, duas das maiores economias da zona euro, possam vir a ser resgatadas devido à crise financeira e da dívida soberana.

A imprensa britânica noticiou hoje que os líderes europeus chegaram a acordo para usar os 750 mil milhões de euros dos dois fundos de resgate europeus, o FEEF e o MEE, para comprar dívida soberana italiana e espanhola no mercado secundário de forma a baixar os custos de financiamento de ambos os países. Em suma, seria um mega-resgate da zona euro a Madrid e a Roma.

O professor da Faculdade de Economia do Porto, Óscar Afonso, receia que esta medida possa não ser suficiente para salvar ambos os países de um possível resgate e afirma que o euro vai acabar se as duas economias caírem.

O uso dos fundos de resgate europeus para comprar dívida soberana espanhola e italiana vai acalmar os mercados?
Não sei se será suficiente, não sei como é que os mercados vão reagir. No fundo, é uma tentativa de fazer descer o preço do dinheiro para estes países. Portanto, tudo o que for feito para aliviar é sempre positivo, mas tenho algumas reservas sobre se vai ser suficiente.

A medida favorece Espanha, favorece Itália e favorece os países que estão mais pressionados. Se é suficiente? Somente à posteriori é que se pode avaliar o seu efeito.

O resgate à banca espanhola pode vir a ajudar Madrid?
À partida, esta é uma boa medida mas não sei se é suficiente, tal como no uso do fundo de resgate. Penso que ninguém sabe dizer neste momento se a medida vai ser eficaz.

Os eurobonds são uma opção viável?
A hipótese é viável mas pessoalmente, despindo a pele de português, eu percebo a posição da Alemanha. Se a Alemanha se consegue  financiar a uma taxa de juro X, com os eurobonds tem que passar  a financiar-se com uma taxa X mais qualquer coisa,então vai preferir continuar a financiar-se à taxa X.

Por outro lado, países como Portugal que se financiavam a uma taxa Y se puderem se vir a financiar a uma taxa Y menos qualquer coisa, por causa dos eurobonds, claro que desejam os eurobonds, que podem vir a ser a solução mas obviamente que penalizaria quem foi cumpridor e favoreceria quem não foi. Esta é que é a verdade.

É uma solução? Sim. Pode vir a ser uma solução? Sim. Agora é uma solução que nos favorece mas que penaliza quem cumpriu.
O prémio de risco acaba por ser uma média ponderada de todos os países. Portanto penalizava a Alemanha, e favorecia Portugal, a Grécia, a Irlanda, Espanha, Itália.

Do ponto de vista de quem está a pagar um prémio de risco maior, as eurobonds são favoráveis, quem está a pagar um prémio de risco baixo, é prejudicial. Porque depois o prémio de risco vai ficar sujeito a uma média dos países da zona euro.

Tem-se dito que Espanha e Itália são muito grandes para serem resgatados. Esta ideia caiu por terra nas últimas semanas, esta convicção de muitos líderes europeus foi desmitificada?
Agora a preocupação é maior. Deixar cair a Grécia ou Portugal era muito mau, com as consequências que poderiam daí advir em termos de euro. Agora se for a Espanha ou Itália é mesmo o fim. A dimensão dos países leva a uma maior preocupação que no limite podem levar à introdução das eurobonds. Mas vários países vão resistir até ao limite para que as eurobonds não sejam introduzidas.

 Óscar Afonso receia que o mega-resgate pode vir a não ser suficiente para salvar ambos os países de um possível resgate

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