Persiste a pergunta: quem ameaça quem?

Damasco – “Poderá o Estado de Israel apoderar-se do direito de atacar um outro país como o Irã – que é signatário da Convenção Internacional de Não Proliferação de Armas Nucleares – por suspeitar que tem a pretensão de atribuir dimensão militar em seu programa nuclear”? Esta justa dúvida manifestou em recente artigo, no jornal francês Le Monde, Thierry Kovil, alto executivo do Instituto de Estudos Militares Iris.

Discursando há dias ante o plenário da mais importante organização do lobby israelense, a Aipac, o presidente norte-americano Barack Obama invocou o risco de um “dominó nuclear” na região mais inflamável do mundo, o Grande Oriente Médio, considerando que, o programa nuclear iraniano ameaça a levar à mesma direção países como a Arábia Saudita, Turquia ou até o Egito.

Contudo, Obama, evitou referir-se ao “elefante no quarto”, o já existente arsenal nuclear do Estado de Israel, e responder à justa pretensão dos árabes (a qual é aceita pelo Irã) para a formalização de um Acorde Periférico de Proibição de Armas Nucleares em todo o Grande Oriente Médio.

 

Netanyahu persiste

 

Entretanto, ao que tudo indica, a política de dois pesos e duas medidas que o Governo dos EUA segue tradicionalmente é posta – pela primeira vez – em dúvida pela própria opinião pública norte-americana. De acordo com o jornal Washington Post, recente pesquisa do Instituto Pew revela que um percentual superior a 50% dos entrevistados manifestou-se a favor da neutralidade dos EUA em caso de eclosão de um conflito entre o Estado de Israel e o Irã, enquanto apenas 40% declarou-se a favor de apoiar, militarmente, o Estado de Israel em caso de conflito com o Irã.

Entretanto, tudo isso não parece convencer Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, o qual, por ocasião de várias visitas que já realizou aos EUA, destacou que não pretende deixar a sobrevivência de seu país nas mãos de qualquer outro, mesmo que este outro sejam os EUA.

Aliás, Netanyahu já declarou antes ainda de assumir o poder que “o futuro de Israel não será decidido na Questão Palestina, mas na Questão Iraniana”.

 

Serbin Argyrowitz

Sucursal do Grande Oriente Médio.

FONTE

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