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Exército dos EUA testa aparelhos teleguiados e robôs para soldados

17/08/2009

The New York Times
Christopher Drew
Em Fort Bliss (EUA)

Os soldados se arrastavam sob o sol ardente do deserto, esperando para invadir vilarejos com condições semelhantes às encontradas no Iraque e Afeganistão.

Mas dessa vez, eles receberam uma ajuda de alta tecnologia num exercício militar realizado para testar novos aparelhos, operados pelos próprios soldados, que poderão transformar essas missões extremamente agonizantes em algo menos perigoso no futuro.

Quando o ataque simulado começou na base militar, minúsculos aparelhos movidos a controle remoto voaram sobre as cabeças, observando através das janelas à procura de insurgentes dentro das casas do vilarejo.

Pequenos robôs – como o R2-D2 de “Guerra nas Estrelas” – atravessaram algumas das portas, enviando vídeos em tempo real das posições dos inimigos surpresos. Sensores eletrônicos colocados nas imediações monitoravam as rotas de fuga. E uma bateria de mísseis de quase dois metros de altura estava pronta para o ataque mais ao longe no deserto para destruir veículos que tentassem correr para o local para ajudar os rebeldes.

“Quando estive no Iraque, não conseguíamos ver onde é que estávamos entrando”, disse o especialista Randall Thompson, que opera os robôs. “Mas com esse equipamento, podemos pelo menos dar uma espiada.”

Oficiais do Exército estão tentando dissociar essa iniciativa relativamente pequena, que ainda enfrenta alguns obstáculos técnicos, da sombra de um programa muito mais amplo que foi cancelado recentemente e deveria ter criado um Exército verdadeiramente moderno, com uma nova geração de veículos de combate e uma ampla rede de comunicação sem fio.

Enquanto voltam às pranchetas para projetar grandes equipamentos, oficiais do Exército dizem que essas pequenas tecnologias poderão em breve fazer a diferença para os soldados encarregados das missões mais perigosas de perseguir insurgentes.

O novo equipamento, que está sendo desenvolvido pela Boeing e outras empresas, deverá custar cerca de US$ 2 bilhões para as sete primeiras brigadas. Cada uma tem pelo menos 3 mil soldados, e o equipamento deverá estar pronto para o uso dentro de dois anos. Em 2025, o Exército planeja criar equipamentos similares e outras melhorias para todas as suas 73 brigadas ativas e na reserva.

As mudanças também ilustram uma mudança no Pentágono em direção de avanços mais significativos e de um maior uso de tecnologias comerciais. Por exemplo, a iRobot, uma companhia de Massachusetts que desenvolveu robôs para passar aspirador de pó em residências e para usos industriais, está construindo os robôs do Exército.

Oficiais dizem que os novos aparelhos ajudarão a transformar as brigadas de infantaria comuns, que assumiram a maior parte dos confrontos em ambas as guerras apesar de terem bem menos proteção e poder de fogo do que as unidades blindadas.

Os aparelhos se parecem com cortadores de grama voadores do tamanho de um barril de cerveja, que aterrissam sobre quatro pés curvados. Com as câmeras dos aparelhos funcionando como observadores e os mísseis de solo de dois metros, chamados de “foguetes portáteis”, os soldados poderão eventualmente destruir forças hostis a mais de 30 quilômetros de distância sem ter que pedir ajuda das unidades de artilharia ou de aviões, disseram os oficiais.

Os robôs também poderão investigar cavernas e carros em pontos perigosos. E os sensores poderão vigiar postos militares e monitorar áreas sem insurgentes, deixando mais soldados livres para a batalha.

“Acho que a diferença será gigantesca”, disse o tenente-general Stephen M. Speakes, vice-chefe de equipe do Exército, numa entrevista.

O coronel Lee Fetterman, que está ajudando a supervisionar os testes aqui, disse que as novas tecnologias são “formas de transferir o risco dos soldados para as máquinas, coisa que apoiamos totalmente.”

O secretário de Defesa Robert Grates cancelou o programa mais amplo para modernizar o Exército chamado Sistemas de Combate do Futuro em junho. Ele estava preocupado com o aumento dos custos – previstos em pelo menos US$ 160 bilhões – e questionou se os novos veículos de combate forneceriam proteção suficiente contra as bombas ao longo das estradas.

Em comparação àquela visão mais ampla, “parece que uma imensidão de expectativas se reduziram a um resto muito pequeno”, disse o deputado Neil Abercrombie, democrata do Havaí, que chefia um subcomitê da Câmara que supervisiona o Exército.

Gates, que ordenou que o Exército retomasse o planejamento dos veículos de combate, e líderes congressistas como Abercrombie pediram aos militares para fornecer as melhorias para a infantaria o mais rápido possível.

Assim, 1.150 soldados, a maioria com experiência no Iraque ou Afeganistão, vêm testando o equipamento aqui em Fort Bliss e White Sands Missile Range, onde a mistura de deserto, montanhas e temperaturas de quase 40 graus lembram as recentes condições de combate.

A maioria dos soldados está entusiasmada com os novos equipamentos. Algumas unidades do Exército já têm aparelhos controlados remotamente e robôs que podem desarmar bombas enquanto o operador fica a uma distância segura. Mas os novos robôs, feitos pela Honeywell, são projetados para ficarem parados sobre um ponto crítico do campo de batalha como helicópteros, em vez de voar num grande círculo. Se um esquadrão de assalto precisar, por exemplo, lançar o robô de 13 quilos através de uma janela e ele aterrissar de costas, poderá girar sobre si mesmo e começar a gravar imagens de vídeo.

Os sensores, projetados pela Textron, enviam alertas e fotos do campo de batalha ou do interior de prédios. Um aparelho, que pode ser enterrado perto de estradas, pode até mesmo discernir, através de leituras sísmicas, se são homens, caminhões ou tanques que estão passando por perto ou se aproximando.

Os mísseis de precisão guiados podem representar um grande avanço. Quinze deles cabem num lançador do tamanho de uma geladeira. Eles estão sendo desenhados pela Raytheon e Lockheed Martin para passar por cima ou desviar de montes e montanhas e atualizar seu curso durante o voo. As ogivas devem ser poderosas o suficiente para destruir um tanque em movimento, tornando as brigadas de infantaria mais potentes do que nunca.

Mas alguns dos sistemas têm falhas óbvias. Mesmo a centenas de metros de altura, o robô soa como um cortador de grama, e a Honeywell está buscando formas de abafar o ruído. Os soldados aqui também sugeriram mudanças, como redesenhar os sensores de campo para torná-los menos detectáveis.

E oficiais do Exército dizem que a capacidade de ligar todos estes sistemas sem o uso de fios, tecnologia que ainda está sendo desenvolvida, representará o maior avanço.

Nos testes, os soldados controlando os aparelhos remotos, robôs e sensores podem receber vídeo em tempo real em laptops ou outros equipamentos. Mas a rede não têm banda ou alcance suficientes para mandar mais do que fotografias para os líderes dos pelotões em suas Humvees e a partir daí para os quartéis.

Até as fotos são um grande avanço em relação à maior parte das comunicações de voz e dados atualmente em uso. Mas o Exército espera que um novo rádio sofisticado, que está enfrentando atrasos caros, esteja disponível para ampliar a capacidade de transmissão de vídeo da rede no momento em que o novo equipamento passe à produção total em 2011.

O Escritório de Prestação de Contas do Governo, uma agência de supervisão do Congresso, alertou que o Exército está assumindo um risco em testar o resto do equipamento antes que o transmissor de rádio esteja pronto. Mas oficiais do Exército dizem que irão aproveitar a chance para impulsionar a criação dos novos equipamentos o mais rápido possível.

“É como diz o ditado: uma imagem vale mais que mil palavras”, disse o tenente-coronel Kevin D. Hendricks, comandante de batalhão envolvido no exercício recente.

“Se eu puder receber um aviso antecipado de que um veículo blindado está vindo pela estrada, e puder atingir esse veículo com uma munição guiada com precisão antes que qualquer um dos meus soldados entre em contato com ele, é assim que eu gostaria de lutar em qualquer guerra”, acrescentou.

FONTE: NEW YORK TIMES

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