Os acontecimentos atuais à luz de Fátima e dos sonhos de D. Bosco

Published on julho 25, 2009 by   ·   No Comments

Os acontecimentos atuais à luz de Fátima e dos sonhos de D. Bosco

Orlando Fedeli

Temos o prazer de publicar um trecho do livro “Il Quarto Segretto” de Antonio Socci, tratando do Terceiro Segredo de Fátima, escamoteado – ao que se diz — pelo Cardeal Sodano, Segredo posto em paralelo com os sonhos de Dom Bosco.
O site Montfort já publicou análise semelhante, que agora, de certo modo, recebe aval da análise feita por esse renomado autor, que esteve em polêmica recente com o próprio Cardeal Bertone, a respeito da não publicação completa do terceiro segredo de Fátima pelo Vaticano.
A recente liberação da Missa de sempre feita pelo Motu Proprio do Papa Bento XVI, parece apontar para um novo passo em relação a Nossa Senhora: a publicação da íntegra do Terceiro Segredo de Fátima, que – ao que consta –, prevenia contra a convocação do Concílio e contra a mudança da Missa, coisas que João XXIII e Paulo VI não atenderam.
Vejam-se hoje os resultados catastróficos…
Fumaça de Satanás, apostasia geral, auto demolição da Igreja



Texto do livro de Antonio Socci — “Il Quarto Segretto


No texto de Massimo Giraud se lê, entre outras coisas, que “o Papa será perseguido” e no texto de Melânia — [a vidente de La Salette] – Nossa Senhora diz: “O Papa será perseguido por toda a parte, dispararão sobre ele, quererão matá-lo, mas nada lhe poderão fazer. O Vigário de Cristo triunfará uma vez mais” (84 – Antonio Galli—Apologia di Melania, cit. pp. 406 – 408).
Não só isso. No assim chamado “segredo escatológico”, de Melânia se lêem as seguintes palavras de Nossa Senhora: “O Santo Padre sofrerá muito. Estarei com ele até o fim para receber o seu sacrifício. Os maus atentarão várias vezes contra a sua vida, sem poder porém prejudicar os seus dias; mas nem ele nem o seu sucessor verão o triunfo da Igreja”
Antonio Galli chama a atenção para estas palavras e para as de Maximino, na carta ao Papa Pio IX, onde fala de um Papa que “ninguém esperava”. Depois, noutra passagem, o menino confidenciou, entre muitas inexatidões, que aquele Papa não seria “romano”, talvez quisesse dizer italiano, que ele reinaria uns vinte anos, e que ele, Maximino, não quereria estar em seu lugar, dando a entender que o Papa sofreria muito. Desses dois documentos e dos outros esclarecimentos de Melânia, escreve Galli, “é fácil deduzir que esse pontífice é João Paulo II; de fato, “ninguém esperava que ele fosse eleito… o seu reinado já ultrapassou de pouco os vinte anos. Sofreu vários atentados contra a sua vida como disse Melânia” (85 Idem Op. cit. p. 410). Com efeito, além do atentado de 13 de Maio de 1981, o Papa Wojtyla sofreu outro atentado em 13 de Maio de 1982.
É fácil constatar que é o segredo de La Salette — (Não o segredo de Fátima) – que corresponde perfeitamente aos acontecimentos ocorridos com João Paulo II. Foi contra a vida dele que se fez um atentado, e foi ele, porém, que foi salvo por proteção da Virgem. Depois, há aquela outra profecia formulada em Fátima, a de um Pontífice que é assassinado. O mesmo Galli — considerando o texto de Lúcia — se pergunta: “Pode se tratar talvez de um outro Pontífice que morrerá mártir?” (86 Idem, op.cit., p. 411. Depois dessa feliz intuição, Galli, não querendo contradizer a versão “oficial”, conclui que “seja La Salette, seja Fátima apontam os holofotes para a figura de João Paulo II. Coisa que me parece contradizer o que escreveu ele mesmo até esse ponto). Parece evidente que com estas duas grandes profecias públicas, feitas por Nossa Senhora nas duas fundamentais aparições modernas reconhecidas pela Igreja, nos encontramos diante de uma trágica escalation da História cristã que culmina com um Papa ferido, (mas não morto), e com um seu sucessor, por sua vez, martirizado. Provavelmente a série de aparições públicas de Nossa Senhora na Idade Moderna — com características totalmente especiais em comparação coma precedente história da Igreja — finalmente deveria ser avaliada no seu conjunto, como um ciclo profético que tem relação com um particularíssimo momento da História da Cristandade (87. Há um passagem singular no livro entrevista de karol Wojtyla com Vittorio Messori – Ultrapassar o Umbral de Esperança, logo antes que o Papa fale do atentado. Diz que “Então, nesse tempo sabia pouco de Fátima. Eu pressentia , porém, que havia uma certa continuidade, a partir de La Salette, através de Lourdes, até Fátima (p. 243). E como tal ela deveria ser interpretada na Igreja ( Com efeito, desde alguns anos, está se tentando uma leitura de conjunto deste “plano de salvação” celeste.
Minha hipótese de uma dupla profecia referente a dois papas pode encontrar uma confirmação numa atenta leitura das três partes do Segredo de Fátima. De fato, na segunda parte, em concomitância com certos eventos históricos, Nossa Senhora fala de um Papa que “terá muito que sofrer”, na terceira parte da visão mostra um Pontífice que será martirizado (junto com uma quantidade de outros cristãos), no contexto de uma prova apocalíptica para a Igreja, no final da qual o Imaculado Coração de Maria triunfaria.
Esta sucessão de eventos se acha – curiosamente –também num célebre sonho profético de São João Bosco (88 É bem sabido que o santo de Turim tinha carismas sobrenaturais muito particulares um dos quais era exatamente aquele de antever os acontecimentos históricos. Veja-se Antonio Socci, La Dittatura anticattolica, Sugarco, Milano , 2004) chamado “O Sonho das Duas colunas” que o santo torinense contou em 30 de Maio de 1862. Tornemos a ler esse sonho:

Imaginai estar comigo na praia do mar, ou melhor, sobre um escolho isolado, e de não em torno de vós senão o mar. Em toda aquela vasta superfície de águas vê-se uma multidão de naves em ordem de batalha, que avançam contra uma nave muito maior e mais alta que todas, tentando chocar-se contra ela com o esporão da proa, tentando incendiá-la e fazer-lhe o maior dano possível. Àquela majestosa nave fazem escolta pequenas naves, mas o vento lhes é contrário e o mar agitado parece favorecer os inimigos.


No meio da imensa extensão do mar elevavam-se acima das ondas duas robustas colunas, altíssimas,pouco distantes uma da outra. Sobre uma delas havia a estátua da Virgem Imaculada, a cujos pés pendia um longo cartaz com esta inscrição: Auxilium Christianorum; sobre a outra, que era muito mais alta e mais grossa, havia uma Hóstia de grandeza proporcional à coluna, e em baixo havia um outro cartaz, com as palavras: Salus Credentium.


O comandante supremo da grande nau, que é o Romano Pontífice, vendo o furor dos inimigos e o mau partido em que se achavam os seus fiéis, convoca em torno a si os pilotos dos navios secundários, para ter um conselho e decidir o que se deveria fazer. Todos os pilotos sobem e se reúnem em torno do Papa. Mantêm uma reunião, mas, enfurecendo-se cada vez mais a tempestade, são mandados de volta para seus próprios navios.

Ocorrendo um pouco de calmaria, o Papa reúne os pilotos de novo, pela segunda vez em torno de si, enquanto a nau capitania segue o seu curso. Mas a borrasca volta espantosa.

O Papa permanece no timão, e todos os seus esforços são dirigidos a levar a nau para o meio daquelas duas colunas, de cujo cimo pendem, em toda a volta delas, muitas âncoras e grossos ganchos presos a correntes.


Os navios inimigos se movem todos a assaltá-la e fazê-la submergir:algumas com os escritos, com os  livros, com matérias incendiárias de que estão cheias, que procuram jogar-lhe a bordo; outras com os canhões, com os fuzis, e com os esporões.O combate se torna cada vez mais encarniçado; mas inúteis se revelam os seus esforços: a grande nave continua segura e franca em seu caminho.

Entretanto, os canhões dos assaltantes explodem; os fuzis e as outras armas se quebram; muitos navios se desconjuntam e afundam no mar.

[Em vão tentam de novo o ataque e desperdiçam toda a sua fadiga e munições: a grande nau prossegue seguramente e livre em seu caminho. Ocorre por vezes que, atingida por golpes formidáveis, apresenta em seus flancos largas e profundas brechas, mas apenas acontece o dano, sopra um vento proveniente das duas colunas e as brechas se fecham e os furos se obturam] (Trecho do sonho de Dom Bosco omitido no texto de Antonio Socci).


Então, os inimigos, furibundos, começam a combater com armas curtas; e com as mãos, com os punhos, com blasfêmias.

De repente, o Papa, ferido gravemente, cai. Imediatamente, ele é socorrido, cai uma segunda vez e morre. Um grito de vitória e de alegria ressoa entre os inimigos; sobre os seus navios se dá um indizível tripudio. Eis que apenas morto o Pontífice, um outro Papa o substitui em seu posto. Os pilotos reunidos o elegeram tão subitamente que a notícia da morte do Papa chega junto com a notícia da eleição do seu sucessor. Os adversários começam a perder a coragem.

O novo Papa, superando todo obstáculo, guia o navio até o meio das duas colunase então com uma correntinha que pendia da proa o une a uma âncora da coluna sobre a qual estava a Hóstia, e com uma outra pequena corrente que pendia da popa o prende do lado oposto a uma outra âncora, que pendia da coluna sobre a qual estava colocada a Virgem Imaculada.


Então, aconteceu uma grande reviravolta:todos os navios inimigos fogem, se dispersam, se chocam e se destroçam mutuamente.Uns naufragam e procuram afundar os outros, enquanto navezinhas que tinham combatido valorosamente com o Papa vêem  elas também a atar-se àquelas duas colunas. [Muitas outras naus que, tendo-se retirado por temor da batalha. se acham em grande distância, ficam prudentemente observando, até que, desaparecidos nos abismos do mar os restos de todos os navios destroçadas, com grande vigor vogam em direção daquelas duas colunas, onde, chegando, se prendem aos ganchos pendentes das mesmas colunas, e aí ficam tranqüilas e seguras, junto com a nau principal, sobre a qual está o Papa]. (Outro trecho omitido na versão do sonho citado por Antonio Socci)

No mar reina uma grande calma”
(89 –G.B. Lemoyne, Memórias biográficas de São João Bosco, volume VII, Sociedade Editora Internacional, Turim, 1909, pp 169-171) Depois de ter contado este sonho, Dom Bosco pediu uma interpretação a Dom Rua, que disse: “Parece-me que a nave do Papa seja a Igreja, os navios , os homens, o mar, o mundo. Aqueles que defendem a grande nave são os bons, afeiçoados à Igreja; os outros, os seus inimigos. As duas colunas de salvação parecem-me que sejam a devoção a Maria Santíssima e ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia”.


Disseste bem”, comenta Dom Bosco, “é preciso apenas corrigir uma expressão. Os navios dos inimigos são as perseguições. Preparam-se gravíssimas provações para a Igreja. O que aconteceu até agora é quase nada comparado com o que vai acontecer. Restam apenas dois meios para salvar-se de tanta confusão: devoção a Maria Santíssima e Comunhão freqüente”


O sonho, à luz dos acontecimentos hodiernos, é de fácil decifração em seu conjunto.(90. – O servo de Deus, Cardeal Ildefonso Schuster, Arcebispo de Milão, “dava grande importância a essa visão, que em 1953, quando ele foi a Turim como Legado Pontifício ao Congresso Eucarístico Nacional, na noite d e13 de Setembro, durante o grande pontifical de encerramento do Congresso, na praça Vittorio, abarrotada de povo, deu a este sonho uma parte importante de sua homilia (Piero Mantero e Valentina Bem, Fátima. A profecia revelada, edição Segno, Tavagnasco, (Ud) 2000, p. 66). Mas Schuster procurava aplicar esse sonho aos acontecimentos ocorridos até então, quando em vez, hoje, nos é evidente que muitos daqueles eventos devem ainda verificar-se).
Algumas de suas particularidades nos aparecem perfeitamente reconhecíveis, e sua colocação cronológica no suceder-se dos eventos impressiona realmente pela precisão e dá muito crédito a seu valor profético. Impressionante é que Dom Bosco estando a falar no ano de 1862, anuncie duas reuniões dos pilotos em torno do Comandante Supremo: uma clara profecia dos dois Concílios ( O Vaticano I e o Vaticano II), convocados para enfrentar o ataque do mundo, o primeiro dos quais – o Vaticano I – foi com efeito interrompido (como previa o “sonho”) pelo enfurecimento da tempestade, pois , de fato, Roma foi invadida em 20 de Setembro de 1870 e foi posto fim ao poder temporal [do Papa], após séculos, tendo o Papa ficado recluso ao Vaticano (91- Para saber das perseguições, em geral pouco conhecidas, sofridas pela Igreja naquelas circunstâncias, ver Antonio Socci, A Ditadura anticatólica, cit.).
A imagem da Igreja atual, como sacudida por uma tempestade que parece a pique de fazê-la afundar é a mesma imagem que o Cardeal Ratzinger utilizou naquela dramática Via Crucis da Sexta Feira Santa de 2.005, que ele escreveu para o Papa já então muito mal de saúde. Aquele texto impressionante—certamente aprovado por João Paulo II – em certo sentido representa um apelo conjunto desses dois grandes Papas, e – visto a posteriori – o primeiro episódio providencial que levará dali a pouco Ratzinger a suceder ao Papa Wojtyla. Foi quase uma sua investidura oficiosa. Portanto, na oração da nona estação, o Cardeal escreveu estas dramáticas palavras: ‘senhor, freqüentemente a tua Igreja nos parece uma barca que está prestes a afundar, uma barca que faz água por todos os lados. E também em teu campo de trigo vemos mais joio do que trigo (92—Via Crucis Livraria Editora Vaticana, 2005 , p. 65).
É evidente, além disso, que,– após os dois Concílios–, os dois outros eventos profetizados pelo sonho são o ferimento do Papa e, depois, o seu martírio, que parece dar a impressão de um prevalecimento das forças do mal. Enfim , dentro de uma situação muito particular, a chegada surpreendente de um Papa que ancora a Igreja ao Coração Imaculado de Maria e à Eucaristia, o que permitirá o triunfo. Hoje,– à luz de Fátima–, podemos dizer que não se trata apenas de um pedido devocional, mas de uma reviravolta, de uma “conversão” da Igreja moderna, por seu modo de conceber-se diante do mundo e diante de Deus. Trata-se, por exemplo, de remeditar aquele solene ato de consagração da Rússia, (feito conjuntamente por toda a Igreja, Papa , Bispos e fiéis) a seu Coração Imaculado, em vão pedido por Nossa Senhora de Fátima junto com outras coisas não atendidas (exatamente por essa surdez—em sucessivas locuções interiores—Lúcia compreendeu palavras gravíssimas de Jesus).
Trata-se de um retorno à Eucaristia, um ancoramento que significa também uma clara “conversão” à ortodoxia doutrinal depois dos espantosas desordens posteriores ao Concílio, e, considero, também um retorno à adoração, portanto um retorno à liturgia bimilenar da Igreja, que foi liquidado com um golpe de mão no pós Concílio.( Noto, de passagem, que estas “conversões” são exatamente as linhas do Pontificado de bento XVI (93-  Naturalmente não é imaginável a abolição da liturgia nas diversas línguas faladas, mas, ainda quando era Cardeal, Ratzinger tinha manifestado a necessidade de tornar a costurar o rasgão com a milenária tradição, de retocar o rito moderno em sentido tradicional, e sobretudo de restituir liberdade para todos os fiéis. Foi precisamente o Cardeal Ratzinger que denunciou, há tempo, a “atitude de suficiência” que se manifesta contra aqueles fiéis que preferem a antiga liturgia. “Quem sustenta hoje a continuação dessa liturgia ou participa diretamente de celebrações dessa natureza”, disse o atual Pontífice, é colocado no índice; toda tolerância é negada. Jamais aconteceu na história nada desse gênero; assim é todo o passado da Igreja que é desprezado. Como se poderá confiar em seu presente se as coisas ficam assim? Para ser franco, não compreendo nem mesmo porque tanta sujeição, da parte de muitos confrades Bispos, nos confrontos dessa intolerância, que parece ser um tributo obrigatório ao espírito dos tempos, e que parece contrastar, sem um motivo compreensível, o processo de necessária reconciliação no interior da Igreja” (Joseph Ratzinger, Deus e o Mundo, San Paolo, Cinisello Balsamo,(Mi) 2001, p 380).
Duas “colunas” nas quais ancorar-se, que dariam realmente um rosto diferente à Igreja de hoje: mais adoradora do que mundana, mais mendigando de Deusa graça e a salvação, do que ocupada com seus próprios planos e projetos, com mais pulsações de coração do que debates (più battiti che dibattiti). Uma Ighreja que espera tudo de Cristo, e não da habilidade política, do ativismo e da mania de aggiornamento, uma Igreja não mais sufocada por “porcarias” e “joio”, ( como denunciou o Cardeal Ratzinger) . Prefigura-se, em suma, uma “metanoia” (uma conversão). Será depois de um tal retorno e de um tal ancoramento em Jesus e Maria (94) que é profetizado o triunfo de seus Corações na presente história humana, e que é também a promessa final de Fátima: “O meu Coração Imaculado triunfará”
(94- Aquilo que, nas primeiras visões, o Anjo disse a Lúcia foi; “Os Corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz de vossas súplicas” (Da Quarta memória de Lúcia, em Lúcia conta Fátima, Queriniana , Brescia, 1999, p. 92)


Para citar este texto:

Orlando FedeliOs acontecimentos atuais à luz de Fátima e dos sonhos de D. Bosco
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=fatima_bosco&lang=bra
Online, 25/07/2009 às 16:04h

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