24 de julho de 2012 – Com o temor de que a crise econômica se alastre ainda mais pela Europa, já que Espanha e Grécia estão no ‘olho do furacão’, lideres da zona do euro estão promovendo reuniões de emergências para encontrar uma saída.
O ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, e o titular de Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, se reuniram nesta terça-feira em Berlim para analisar a situação da Espanha, horas depois do anúncio da nova avaliação da nota da dívida soberana da Alemanha pela agência Moody’s.
O prêmio de risco espanhol – que mede a diferença entre o bônus espanhol a dez anos e o alemão de mesmo prazo – se manteve hoje em máximos históricos com 638 pontos.
Os ministros pediram em comunicado conjunto a seus sócios europeus uma “rápida aplicação” das decisões da cúpula europeia do último mês de junho, o que inclui “a construção integral de uma união bancária efetiva junto a uma supervisão bancária europeia única”.
A consecução deste marco ajudaria a aplicação das reivindicações espanholas de permitir ajudas diretas aos bancos e a compra de dívida por parte do fundo europeu de resgate, e também a exigência alemã de uma supervisão bancária e orçamentária única na zona do euro.
A nota comum ressalta a importância para a Espanha e para a eurozona da ajuda de até 100 bilhões de euros para sanear os bancos e recomenda “a decisiva e rápida implementação plena do roteiro incluída nesse programa”, ou seja, as contrapartidas setoriais e macroeconômicas.
Schäuble e De Guindos destacam ainda as medidas “vitais” aplicadas nos últimos meses na Espanha, assim como sua “estratégia de consolidação fiscal equilibrada”, que persegue “a redução do déficit excessivo daqui até o final de 2014″ e da qual participam as comunidades autônomas.
Ao mesmo tempo, em círculos econômicos da Alemanha, a principal economia da zona do euro, reverberava o eco da decisão da Moody’s de situar “em perspectiva negativa” a qualificação que atribui a sua dívida soberana e colocá-la em observação para um possível rebaixamento.
O encontro esteve rodeado de hermetismo, já que ambas partes decidiram não realizar posteriormente nenhum encontro com os meios de comunicação nem divulgar os temas da agenda, argumentando que se trata de uma reunião informal estipulada antes do aumento das tensões.
No entanto, analistas e jornalistas alemães indicaram que a reunião se centraria principalmente na delicada situação da Espanha, que segue duramente acossada nos mercados financeiros apesar do último programa de cortes de 65 bilhões de euros e da aprovação da ajuda aos bancos espanhóis por parte do Eurogrupo.
De Guindos tinha a incumbência de detalhar a Schäuble o último plano de ajustes aprovado pelo governo presidido por Mariano Rajoy, que inclui uma alta do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), a eliminação do pagamento extra de Natal aos funcionários e um rebaixamento do seguro-desemprego, entre outros pontos.
Fora da agenda ficou, segundo De Guindos que afirmou ontem, a possibilidade de a Espanha averiguar com a Alemanha um eventual resgate completo, perante as crescentes dificuldades para financiar-se nos mercados.
Segundo antecipou De Guindos, também não foi abordada a reivindicação espanhola – reiterada nos últimos dias pelo governo de Rajoy – para que o Banco Central Europeu (BCE) volte a adquirir bônus soberanos no mercado secundário.
O ministro de Relações Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, já tachou o BCE de “banco clandestino” por não diminuir tensões, algo ao que Mario Draghi, presidente da entidade, respondeu assinalando que sua incumbência não é “resolver os problemas financeiros dos países”.
Por sua parte, a porta-voz do Ministério de Finanças da Alemanha, Marianne Kothé, tirou ontem da lista de assuntos em debate o resgate das comunidades autônomas com dificuldades financeiras, alegando que se trata de um “assunto interno” espanhol.
A reunião aconteceu pouco depois que a Catalunha se tornou a terceira comunidade autônoma em reconhecer abertamente que recorrerá ao respaldo do fundo de liquidez autônomo (FLA), embora não tenha quantificado o volume da ajuda que necessita.
A Moody’s, por sua parte, se encarregou ontem de incluir um novo ponto na agenda do encontro entre Schäuble e De Guindos.
Ao degradar de “estável” para “negativa” as perspectivas financeiras de Alemanha, Holanda e Luxemburgo, a Moody’s destacou o estreito vínculo entre as contas públicas do saneado norte e do deficitário sul da eurozona, ligadas através dos fundos de resgate.
A Alemanha desdenhou imediatamente em comunicado a decisão de Moody’s, assegurando que a agência não leva em conta a solidez de sua economia, ao dar prioridade aos “riscos de curto prazo” e ignorar “as perspectivas de longo prazo de estabilização”
O Ministério de Finanças alemão destacou que “as perspectivas para a Alemanha são sólidas” e que “a confiança dos mercados internacionais” no país “é alta”, como demonstram as taxas de juros – inclusive negativos – que Berlim paga para colocar sua dívida.
No entanto, a crise já está afetando os indicadores macroeconômicos da principal economia europeia, que está desacelerando seu crescimento, e a chanceler, Angela Merkel, reconheceu em várias ocasiões nas últimas semanas que “as forças” da Alemanha “não são ilimitadas”.
Enquanto isso, no campo das matérias primas, o preço do barril do Brent para entrega em setembro fechou nesta terça-feira em alta de 0,15% na Bolsa Intercontinental de Futuros de Londres (ICE Futures), cotado a US$ 103,42.
O preço máximo negociado hoje foi de US$ 104,48 por barril e, o mínimo, de US$ 102,53.
O preço do Petróleo Intermediário do Texas (WTI, leve) para entrega em setembro subiu nesta terça-feira 0,4% e fechou cotado a US$ 88,5 por barril (159 litros) na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), influenciado pelos encorajadores dados sobre o setor industrial na China, que conseguiram resistir às persistentes preocupações sobre a zona do euro.
Já os contratos de gasolina com vencimento em agosto caíram US$ 0,06 e terminaram em US$ 2,82 por galão (3,78 litros). Os de gasóleo para calefação para entrega no mesmo mês encareceram US$ 0,01, e fecharam em US$ 2,82 por galão.
Os contratos de gás natural com vencimento em agosto subiram US$ 0,07 e terminaram o dia com preço de US$ 3,18 por cada mil pés cúbicos.
Na Europa, a apreensão que se instalou por lá cresce dia a dia com mais dados econômicos negativos. A crise, que começou na Grécia chegou à Espanha e se propaga para a Itália.
Ao final desta jornada, em Frankfurt, o índice DAX 30 caiu 0,45% aos 6.390 pontos; em Paris, o índice CAC-40 caiu 0,87% aos 3.074 pontos; em Milão, o índice FTSE-MIB caiu 2,71% aos 12.362 pontos; em Madri, o índice Ibex 35 desvalorizou 3,58% aos 5,956 pontos; e em Londres, o índice FTSE-100 caiu 0,63% ficando com 5.499 pontos
Na agenda local, o índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto, medida ampla do setor privado que combina dados manufatureiros e de serviços, da zona do euro manteve-se em 46,4 pontos em julho.
A leitura indica alta no setor de serviços, que subiu para 47,6 pontos no sétimo mês do ano, ante 47,1 pontos em junho.
O índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da Alemanha registrou piora, com 47,3 pontos em julho contra 48,1 pontos verificados em leitura anterior.
Já o PMI de serviços caiu para 49,7 pontos, ante 49,9 pontos em junho.
O índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da França registrou melhora, marcando 48 pontos em julho contra 47,3 verificados em leitura anterior.
O PMI de serviços também subiu no mês, passando de 47,9 em junho para 50,2 pontos.
Fora da agenda econômica, a agência de qualificação de crédito Moody’s declarou ontem que colocou em perspectiva negativa as notas da Alemanha, Holanda e Luxemburgo, três dos quatro países que possuem a classificação máxima (AAA), enquanto a nota da Finlândia foi a única que se manteve estável.
A agência justificou sua decisão na “crescente incerteza” vista no continente Europeu pelo alcance da crise da dívida, além dos temores de uma possível saída da Grécia e da necessidade de um resgate em países como a Espanha e Itália.
Por enquanto, a Moody’s, que assegura que uma eventual saída da Grécia da união monetária poderia supor uma séria ameaça para o euro, mantém a máxima qualificação dos três países europeus em “AAA”.
Nos Estados Unidos, o agravamento da crise econômica na Europa manteve os principais índices acionários de Wall Street em queda pelo segundo dia.
Ao final dos negócios, o índice Dow Jones caiu 0,82%, aos 12.617 pontos; o S&P 500 perdeu 0,90% em 1.338 pontos; e a bolsa eletrônica Nasdaq recuou 0,94% aos 2.862 pontos.
Na agenda local, os preços da habitação (Housing Price Index) subiram 0,8% entre abril e maio, em uma base ajustada sazonalmente. Os dados foram divulgados pela Agência Federal de Financiamento de Habitação (FHFA).
O dado de abril foi revisado para uma alta de 0,7%. Para os 12 meses encerrados em maio, os preços dos imóveis subiram 3,7%.
O índice de atividade industrial do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) de Richmond recuou para -17 pontos em julho, ante os -3 pontos apurados em junho.
O resultado veio pior do que o esperado, de 0 pontos (previsão Forex Factory).
Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, abriu nesta terça-feira operando em baixa de 0,63%, aos 2.421,25 pontos.
Às 11h20 locais (mesmo horário em Brasília) eram negociadas as ações de 17 empresas, com balanço de uma em alta, 11 em baixa e cinco estáveis. O giro financeiro até então era de 701,3 mil pesos (US$ 153,4 mil).
As quedas mais significativas eram das ações de Grupo Financiero Galicia (-0,89%), Pampa Energia (-0,84%) e YPF (-0,82%). A única alta era dos papéis da Edenor (0,12%).
No mercado cambial, o dólar abriu cotado a 4,58 pesos, mesmo valor do fechamento de ontem.
No Brasil, o crescimento das incertezas com a economia espanhola pressionou a bolsa brasileira pelo terceiro dia consecutivo, levando o índice Ibovespa a encerrar os negócios desta terça-feira com queda de 0,75% aos 52.638 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,003 bilhões.
O dólar comercial encerra o pregão desta terça-feira em alta. No interbancário, a divisa ficou cotada a R$ 2,043 na compra e R$ 2,043 na venda, alta de 0,09%.
No mercado futuro, o contrato para agosto negociado na BM&F apresentava alta de 0,27% a R$ 2,047.
Os Contratos de Depósito Interfinanceiros (DIs) encerraram a seção divididos na BM&F.
Perto do fechamento, os contratos para julho de 2012 e janeiro de 2013 permaneciam estáveis a 7,85% e 7,38% respectivamente; os contratos com vencimentos para janeiro de 2014 subiam 0,04 p.p a 7,72%; os contratos com vencimentos para 2017 subiam 0,10 p.p a 8,96%; e os contratos para 2021 subiam 0,10 p.p a 9,58%.
Por aqui, não houve divulgação de indicadores econômicos.
(Ivonéte Dainese, Rosangela Sousa, EFE e agências internacionais – www.ultimoinstante.com.br)