A agência de notação financeira Fitch disse hoje que tem dúvidas sobre se o resgate europeu à banca espanhola no valor de 100 mil milhões de euros será suficiente para reformar o sistema bancário do país.
A Fitch publicou hoje um relatório sobre o memorando de entendimento assinado entre a Espanha e a União Europeia em julho para recapitalizar os bancos do país até 100 mil milhões de euros.
Segundo a agência de notação de crédito, este acordo inclui reformas de “longo alcance”, mas dúvida da sua capacidade para sanear o sistema bancário do país.
“Apesar de o memorando pretender ser a reforma final do setor bancário espanhol, a Fitch mantém-se cautelosa sobre este ponto dada a difícil situação económica e as condições do mercado espanhol”, afirmou a diretora-geral do departamento de instituições financeiras da Fitch, María Jose Lockerbie.
A agência recorda que 90% do setor bancário espanhol (14 grupos) está a ser submetido a teste de ‘stress’ para determinar as suas necessidades adicionais de capital o que, em última instância, pode levar a que os bancos avaliados tenham de ser reestruturados, recapitalizados ou mesmo liquidados de forma ordenada.
Os custos de uma reestruturação serão repartidos entre os acionistas dos bancos e os investidores que têm dívida subordinada e ações preferenciais, lembrou a Fitch, acrescentando que, no entanto, o acordo não é claro sobre se os detentores de dívida sénior também pagarão parte da recapitalização.
Outro dos pontos singulares da banca espanhola, disse a agência, é que uma grande parte desses instrumentos financeiros foi vendida a particulares (através das sucursais dos bancos) e não a investidores institucionais.
“Isto pode levar a problemas legais e de reputação associados a práticas abusivas de vendas”, acrescentou.
Os bancos espanhóis estão a sofrer perdas devido à sua elevada exposição ao setor imobiliário, em crise depois da explosão da bolha imobiliária em 2008.
O Ministério espanhol da Economia admitiu na quarta-feira que estava a trabalhar com Bruxelas para desencadear intervenções precoces no Bankia, assim como em outros bancos nacionalizados, à beira do desastre financeiro: Novagalicia, CatalunyaCaixa e Banco de Valencia.
O anúncio em maio de um resgate público de 23,5 mil milhões de euros ao Bankia, nascido em 2010 da fusão de vários bancos de poupança, precipitou o plano europeu de assistência ao setor bancário espanhol.

Fitch publicou um relatório sobre o memorando de entendimento assinado entre a Espanha e a União Europeia sobre a recapitalização da banca