17 de agosto de 2012

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, afirmou nesta sexta-feira que o “tumor cancerígeno” de Israel vai desaparecer em breve, durante um discurso em Teerã em ocasião do Dia Al-Quds (Jerusalém em árabe).

“O regime sionista é um tumor cancerígeno (…) Os países da região vão acabar em breve com a presença dos usurpadores sionistas na terra Palestina”, declarou Ahmadinejad a manifestantes reunidos na universidade de Teerã para a oração coletiva.

A televisão estatal iraniana exibiu imagens de multidões reunidas por todo o país para participar do “Dia Al-Quds”, organizado todos os anos pelo poder em solidariedade aos palestinos e contra Israel.

“Eles (ocidentais) dizem que querem um novo Oriente Médio. Nós também queremos um novo Oriente Médio, mas no nosso não haverá traços de sionistas”, declarou Ahmadinejad, em um contexto de tensão crescente entre Irã e Israel.

“Os sionistas vão partir e a dominação americana sobre o mundo acabará”, acrescentou o presidente, que também denunciou a solução dos dois país para resolver o conflito entre palestinos e israelenses.

“Eles (Estados Unidos e aliados) querem que aceitemos a solução de dois Estados (…) Mesmo se derem 80% da terra da Palestina aos palestinos e mantiverem 20% (para os israelenses), vai ser perigoso, será como acabar com anos de resistência”, disse.

Pouco depois, o governo americano reagiu, considerando “chocantes” e “odiosas” as declarações do presidente iraniano. “Nós condenamos energicamente as últimas declarações chocantes e repreensíveis de líderes iranianos contra Israel”, declarou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional (NSC), Tommy Vietor.

“Toda a comunidade internacional deveria condenar estas afirmações odiosas”, acrescentou Vietor em um comunicado, que também questiona o apoio de Teerã ao regime do presidente sírio Bashar al-Assad.

“Se os líderes iranianos estão realmente preocupados com os direitos e com a dignidade de todos os seres Humanos, então o Irã deveria parar de apoiar a agressão brutal de Assad sobre os sírios”, explicou o porta-voz. O guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, havia afirmado na quarta-feira que Israel é uma “excrescência sionista artificial, desaparecerá da paisagem” da região.

Muitos manifestantes no Dia Al-Quds exibiram imagens do aiatolá e do imã Khomeini, fundador da República Islâmica, assim como bandeiras do Hezbollah libanês.

Nas últimas semanas, a imprensa israelense divulgou várias informações, com base em declarações de autoridades que pediram anonimato, segundo as quais uma ação militar israelense contra o programa nuclear era iminente. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Ehud Barak, são a favor de um ataque contra o programa nuclear do Irã, mas outros altos funcionários, principalmente dos serviços militares e de inteligência, são contrários.

Na quinta-feira, o presidente israelense, Shimon Peres, afirmou que estava claro que Israel não poderia atacar o Irã sem a ajuda dos Estados Unidos, em uma entrevista concedida à televisão israelense. Essas declarações causaram polêmica em Israel nesta sexta.

Única potência nuclear – oficial – da região, Israel considera que sua existência estaria ameaçada, caso Teerã consiga produzir armas atômicas. O Irã nega que seu programa nuclear tenha objetivos militares.

Aumentando ainda mais a tensão, o chefe do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, advertiu nesta sexta-feira que o partido xiita armado transformará “em inferno as vidas de milhares de israelenses” no caso de ataques por parte do Estado de Israel.

“Há alvos na Palestina ocupada (Israel) que podem ser atacados com um pequeno número de mísseis. Possuímos esses mísseis (…) e não hesitaremos em utilizá-los para proteger nosso povo e nosso país. Isso transformará a vida de centenas de milhares de sionistas em um verdadeiro inferno”, afirmou Nasrallah em uma cerimônia por ocasião do Al-Quds. O chefe do Hezbollah afirmou que, se o Irã, principal apoio do partido xiita, “for atacado por Israel, a resposta será enorme”.

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ONU critica declarações de Ahmadinejad sobre Israel

Presidente do Irã classificou o estado de Israel de “tumor cancerígeno”

Ban Ki-moon no dia 12 de agosto de 2012: o secretário-geral da ONU condenou as declaraçõesBan Ki-moon condenou as declarações contra Israel (Jung Yeon Je/AFP)

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse estar “consternado” com os últimos comentários contra Israel proferidos pelos líderes iranianos. “Ban condena estas declarações ofensivas e exacerbadas e considera que todos os líderes da região deveriam utilizar suas vozes neste momento para baixar, mais que aumentar as tensões”, acrescentou o porta-voz da ONU Martin Nesirky.

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O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, classificou o estado de Israel de “tumor cancerígeno”. A declaração somou-se à do líder supremo da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei, que, na última sexta-feira, disse que Israel vai “desaparecer do mapa”. “Israel é uma excrescência artificial no Oriente Médio que irá desaparecer”, afirmou. Ele acrescentou ainda que “a estrela da esperança” que brilhou no Irã durante sua Revolução Islâmica e na guerra de 1980-1988 com o Iraque “também irá brilhar pelos palestinos, e sua terra islâmica será devolvida definitivamente à nação palestina”.

As declarações foram feitas durante a cerimônia do Dia de Jerusalém (Al-Quds), que teve início em 1979 após a fundação da República Islâmica. Manifestantes utilizam a palavra Quds, derivada do árabe, para designar a cidade de Jerusalém.

Israel tem aumentado sua retórica belicosa ao ameaçar atacar as instalações nucleares do Irã, que Israel acredita que sejam utilizadas para desenvolver armas atômicas que poderiam destruir seu país. O Irã nega as acusações, e afirma que seu programa nuclear tem fins puramente civis.

Mahmoud Ahmadinejad e os aiatolás governam o Irã com mão de ferro, mantêm centenas de opositores na prisão e sufocam todas as manifestações contrárias ao regime. O governo autoritário iraniano também censura a internet, reprime a imprensa local, dificulta o trabalho de jornalistas internacionaisalém de perseguir o livre-pensamento e as manifestações culturais que julgam “impróprias para a República Islâmica”.

(Com agência France-Presse)

FONTE

 

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, critica palavras da liderança em Teerã. Presidente do Irã chamou Israel de “tumor canceroso”. Tensão aumenta após mídia israelense dizer que Israel pode atacar Irã ainda este ano.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, criticou duramente os recentes ataques verbais da liderança iraniana contra Israel. Nesta sexta-feira (17/08), Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, chamou Israel de “tumor canceroso”, que logo desaparecerá. Dois dias antes, o líder espiritual do Irã, aiatolá Ali Khamenei, havia definido Israel como uma “excrescência artificial sionista”.

“Ban condena essas declarações ofensivas e incendiárias”, diz um comunicado divulgado por seu gabinete nesta sexta-feira. O texto pede também que todas as lideranças da região colaborem para diminuir as tensões entre as nações e evitar um agravamento da situação.

Neste sábado (18/08), um comandante iraniano de alta patente saudou um possível ataque aéreo israelense contra instalações nucleares do país. O general Amir Ali Hadschisadeh, afirmou que isso daria a seu país um motivo de retaliação contra Israel, “para se livrar para sempre” daquele Estado, informou a agência de notícias oficial Irna.

Segundo Hadschisadeh, comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária, no caso de um ataque de Israel, o Irã reagirá de forma “rápida, determinada e destrutiva”.

Protesto contra Israel

Nesta sexta-feira, milhares de iranianos gritaram palavras de ordem como “morte à América, morte a Israel”, em protestos organizados pelo governo iraniano. O presidente Mahmoud Ahmadinejad disse, em um discurso para os manifestantes, que não havia lugar para um Estado judaico no futuro do Oriente Médio.

Os ataques verbais ocorreram depois de a mídia israelense divulgar notícias de que Israel poderia lançar ataques contra instalações nucleares iranianas antes das eleições presidenciais norte-americanas, em novembro. O Ocidente suspeita que o Irã esteja trabalhando secretamente na produção de armas nucleares, o que Teerã nega.

Ataque ao Irã

O chefe do partido israelense Kadima, Shaul Mofaz, também se envolveu no debate, afirmando que um possível ataque contra o Irã não teria chance de sucesso sem o apoio dos EUA. Um esforço isolado das forças israelenses contribuiria, na opinião dele, somente para atrasar as ambições nucleares do Irã e resultaria em “desastre”. O partido Kadima saiu em julho passado da coalizão de governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Segundo o ex-chefe da inteligência militar israelense Amos Jadlin, Barack Obama deve reforçar num discurso no Parlamento israelense sua rejeição a um Irã munido de armas atômicas.

“O presidente dos EUA deve visitar Israel e assegurar a seus líderes e, ainda mais importante, ao seu povo que é do interesse dos EUA impedir que o Irã tenha armas nucleares e que ele usará meios militares para isso, se necessário”, escreveu Jadlin na edição deste sábado do jornalWashington Post.

Na opinião do israelense, somente assim Obama conseguirá tirar das autoridades israelenses o temor de que sejam abandonadas pelos EUA após renunciarem a uma ação militar contra o Irã.

Os sociais-democratas alemães são a favor de que Berlim interceda junto à liderança de Israel com relação às ameaças de um ataque ao Irã. A chanceler federal Angela Merkel deve deixar claro, assim como os Estados Unidos, que um ataque teria consequências fatais e incontroláveis para toda a região, ressaltou o assessor para política externa do partido SPD, Rolf Mützenich.

MD/dpa/dapd/afp/rtr
Revisão: Luisa Frey

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Ashton, da UE, condena declarações do Irã sobre Israel
18 de agosto de 2012 

BRUXELAS (Reuters) – A chefe da política externa da União Europeia disse neste sábado que as declarações feitas pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, descrevendo Israel como um “tumor cancerígeno” sem lugar no futuro do Oriente Médio, eram “ultrajantes e ofensivas”.

O linguajar de Catherine Ashton foi incomumente franco para a principal negociadora do Ocidente sobre o programa nuclear do Irã.

Ashton “condena fortemente as declarações ultrajantes e ofensivas ameaçando a existência de Israel, feitas pelo Líder Supremo e presidente da República Islâmica do Irã”, afirmou um comunicado emitido por seu porta-voz. “O direito à existência de Israel não deve ser questionado.”

Na sexta-feira, Ahmadinejad disse a manifestantes em protestos organizados pelo Estado que “no novo Oriente Médio… não haverá traço da presença americana e dos sionistas”. Enquanto milhares de iranianos gritavam “Morte à América, morte a Israel”, Ahmadinejad chamava Israel de um “tumor cancerígeno” pela ocupação de territórios palestinos.

No início desta semana, a mídia iraniana divulgou que o Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse que um dia Israel seria devolvida à nação palestina e cessaria de existir.

Ashton é a principal negociadora em nome das seis potências – os Estados Unidos, a Rússia, a China, a França, a Alemanha e a Grã-Bretanha – que estão tentando convencer o Irã a refrear seu programa nuclear através de sanções econômicas e da diplomacia. Eles temem que o programa nuclear iraniano tenha como objetivo a produção de armas, embora Teerã diga que ele serve apenas a propósitos pacíficos de produção de energia.

Ashton e o principal negociador do Irã concordaram no início de agosto em manter mais reuniões sobre o programa nuclear iraniano, mas não há sinais de progresso iminente na disputa que se arrasta há uma década.

Ashton “pede que o Irã desempenhe um papel construtivo na região e espera que seus líderes contribuam para diminuir a tensão e não para alimentá-la”, afirmou o comunicado deste sábado.

Na sexta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que ataques verbais contra Israel eram “ofensivos e inflamatórios”.

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