26 de maio de 2012 | 16h30

Celso Ming

As urgências da área do euro estão crescendo de maneira assustadora. Não se trata apenas de providenciar socorro para economias incapacitadas de honrar seus compromissos externos ou bancários – casos da Grécia, de Portugal e da Irlanda.

Trata-se, agora, também de impedir séria deterioração das finanças de países bem maiores – como Espanha e, eventualmente, Itália. E, assim, de evitar quebradeira sistêmica dos bancos na Europa, caso algum país seja obrigado a deixar o bloco, como parece provável acontecer com a Grécia.

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A saída do euro exigiria troca de moedas. Fiquemos com o caso da Grécia. Como nenhum cliente de banco grego quer dormir com aplicações em euros e acordar com aplicações em dracmas, a corrida aos saques já começou e se intensificará quando a troca de moedas for iminente – se, antes disso, o governo já não tiver decretado feriado bancário.

Esse movimento não se limitará à Grécia. O avanço aos ativos dos bancos já começou em outros países, sobretudo na Espanha. O Bankia, tido há alguns meses como saudável, já precisou de injeção de 10 bilhões de euros. Outras instituições financeiras espanholas precisam de pelo menos 60 bilhões de euros para enfrentar o desassossego dos clientes.

É claro que um ajuste a ser feito com mais crescimento econômico fica mais fácil. Isso é como o trânsito. É bem melhor passar de uma faixa da pista para outra se o trânsito está andando normalmente. Mas tente fazer a mesma coisa quando tudo está emperrado.

Mais crescimento econômico apenas ajudaria a arrumação, quando ela começar. Para que o euro ganhe consistência, é preciso mudar muita coisa.

Não basta existir um banco central forte e independente mais um conjunto de tratados feitos com promessas, até agora não cumpridas, de equilíbrios orçamentários. É necessário arrumar um fundo de socorro (hoje pequeno demais para as necessidades) para ser usado em caso de incapacidade de um país pagar seus compromissos. E é preciso o que até agora não foi possível: montar um sistema federativo na área do euro com um Tesouro comum, bancos em escala regional (e não mais nacional) e uma autoridade central com poder para arrecadar e distribuir recursos. Até agora, todas as tentativas nessa direção foram sumariamente barradas por alguns Parlamentos.

A única proposta que prevê algum grau de federalização é a da criação do eurobônus, que, de algum modo, criaria um sistema de compartilhamento financeiro. Mas, como se sabe, os vetos sumários de Alemanha, Suécia, Áustria e Finlândia o tornam impossível – ao menos por enquanto.

A novidade é que a zona do euro se aproxima de uma situação deou vai ou racha. Quando de sua criação, os pais do euro, principalmente o então chanceler da Alemanha, Helmut Kohl, e o presidente da França à época, François Mitterrand, foram avisados de que, sem consistência no núcleo da moeda, mais cedo ou mais tarde viria a crise. Mas eles optaram por ir em frente assim mesmo, no pressuposto de que um dia se criariam as condições políticas para a montagem da unidade fiscal e política dentro do bloco. Esse momento chegou. É pegar ou largar.

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