“Doutor Doom” critica estratégia da Alemanha e do BCE em adiar o fim da zona euro e avisa que ainda há tempo para remendar a situação

16/08/2012 | 17:00 | Dinheiro Vivo

O economista Nouriel Roubini critica a intervenção do Banco Central Europeu (BCE) e a actuação da Alemanha para ajudar as economias periféricas da zona euro e alerta que adiar o colapso da zona euro só vai piorar a situação.

“Se a zona euro é viável ou não permanece uma incógnita. Mas e se o colapso poder ser somente adiado e não evitado? Se assim for, adiar o inevitável tornaria somente o final pior, muito pior”, escreve, em artigo de opinião no Project Syndicate.

Até há pouco tempo, o financiamento oficial, era feito somente pelo fundo de resgate europeu temporário, FEEF, e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mas este financiamento está a ser feito cada vez mais pelo BCE, na forma de compra de dívida e de injecção de liquidez no bancos.

Esta opção pelo BCE, deve-se aos “constrangimentos políticos na Alemanha” e noutros países, como forma de evitar reforçar os fundos de resgate.

Assim, os membros pobres da zona euro estão a “externalizar a fonte oficial de financiamento” através do BCE. A estratégia actual, sentencia o economista, poderia eventualmente funcionar mas tem de suportar muitos obstáculos que vão levar ao seu fracasso como: “agravamento da recessão”, “fardo da dívida insustentável” para agentes públicos e privados”; “cansaço da austeridade na periferia e cansaço dos resgates no núcleo”; entre outros.

“Claro que o colapso agora seria muito dispendioso, requerendo uma conferência internacional de dívida para reestruturar a dívida da periferia e as exigências do núcleo. Mas uma ruptura precoce poderia permitir a sobrevivência do mercado única e da União Europeia”, afirma.

Para o professor da Universidade de Nova Iorque, a tentativa de manter a zona euro com os 17 estados-membros é um desperdício de dinheiro: “Uma tentativa fútil de evitar o colapso durante um ano ou dois – depois de desperdiçar biliões de euros em financiamento adicional oficial pelo núcleo – iria significar um fim desordeiro, incluindo a destruição do mercado único, dando início à introdução de políticas proteccionistas em grande escala. Assim, se o colapso for inevitável, adiá-lo implica custos mais elevados”.

Para Roubini as actuais políticas da zona euro estão a combater uma possível desintegração do euro: “A Alemanha e o BCE estão a apostar na liquidez em grande escala para comprar tempo para permitir os ajustamentos necessários para restaurar o crescimento e a sustentabilidade da dívida”, explica. O economista considera que “apesar do elevado risco implicado se uma separação vier eventualmente a ocorrer, esta permanece a estratégia para a qual muitos dos membros da zona euro estão comprometidos”.

“Só o tempo dirá se apostar a casa para salvar a garagem foi a coisa certa a fazer”, conclui.

 O economista Nouriel Roubini critica a intervenção do BCE e a actuação da Alemanha para ajudar a periferia da zona euro

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