Soros: «Se tivesse de investir seria contra o euro»

Published on abril 19, 2012 by   ·   No Comments
19/04/12

«Crise do euro ameaça destruir a União Europeia»

«Se tivesse de investir, apostaria contra o euro». O conselho é dado pelo investidor e filantropo multimilionário norte-americano George Soros, para quem, mesmo que a moeda única europeia sobreviva à crise, a Europa enfrenta um período de grandes dificuldades.

Soros garante que hoje «a crise do euro ameaça destruir a União Europeia». «Os dirigentes do Velho Continente estão a levar a Europa à ruína», disse em entrevista ao diário francês «Le Monde». Uma ideia que está em linha com o exposto no seu último livro, «O caos financeiro mundial».

Soros fez parte da sua fortuna depois da queda da libra esterlina em 1992 ao apostar contra a divisa britânica cerca de 10.000 milhões de dólares.

«A introdução do euro, em vez de criar convergência, trouxe divergências». Soros compara a situação dos países mais débeis da Zona Euro à «dos países de terceiro mundo» que contraíram empréstimos em divisas estrangeiras.

O norte-americano de origem húngara considera que, ainda que o euro resista a esta crise, a Europa tem diante de si um período difícil, «semelhante ao que ocorreu na América Latina depois da crise de 1982 e ao Japão, estagnado há 25 anos», cita a Lusa.

Mas a diferença do caso europeu face a estes é que «a União Europeia não é um país». Daí que Soros receie que não sobreviva à atual crise. Para além do mais, os dirigentes europeus deram conta dos tumultos económicos e financeiros «demasiado tarde».

Para o multimilionário, apesar de o Banco Central Europeu «ter inventado medidas fora do normal, como os empréstimos a três anos aos bancos», o contra-ataque do Bundesbank, a entidade emissora alemã, «rompeu esse efeito».

«Toda a Europa está guiada pela ortodoxia do Bundesbank». O banco central alemão «está a empurrar a Europa para a deflação» porque «é impossível reduzir a dívida, afundando o crescimento».

A poucos dias do arranque da primeira volta para as eleições presidenciais francesas, cuja primeira e segunda rondas decorrem este domingo e a 06 de maio, respetivamente, George Soros entende que, caso seja eleito, o socialista François Hollande «terá muitas dificuldades em afastar-se da linha alemã».

«Questionar a ortodoxia financeira poderia expor o país a um ataque dos mercados». Paris está numa «situação precária».

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