Ministro das Finanças grego acredita que país só poderá permanecer na zona euro e sobreviver à falência se adotar novas medidas de poupança
05/08/2012 | 11:10 | Dinheiro Vivo

O ministro grego das Finanças, Yannis Stournaras, disse hoje, em declarações ao jornal diário Ethnos, que as próximas semanas serão “cruciais” para manter o país na zona euro se não forem adotadas novas economias, exigidas pelos credores da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional.

Embora reconhecendo que os gregos têm sofrido com “grandes sacrifícios”, o ministro sublinhou que “as próximas semanas são cruciais para a sobrevivência do país, porque escolhas diferentes das que a lógica exige poderão conduzir-nos a uma falência e à saída da zona euro”.

“O país está empenhado em proceder a uma série de medidas e de reformas para reativar a economia e eliminar definitivamente a ameaça da falência”, recordou Stournaras, nas declarações publicadas este domingo no Ethnos.

O ministro esteve esta manhã em reuniões em Atenas com os peritos Poul Thomsen (FMI), Klaus Masuch (BCE) e Matthias Mors (UE) para finalizar o acordo sobre as poupanças de 11,5 mil milhões de euros para 2013 e 2014. Na reunião esteve também presente o ministro do Trabalho, Yiannis Vroutsis, cujo ministério terá de assumir grandes poupanças.

“Foi um esforço sério” para chegar a um acordo, disse aos jornalistas fonte do Ministério das Finanças.

Os peritos da ‘troika’ pressionam o governo grego de coligação direita-esquerda, há duas semanas, para que adotem novas reduções na despesa pública, nomeadamente através de cortes nos salários e nas reformas.

Estas medidas são um pré-requisito, segundo os credores, para libertar o pagamento de mais uma fatia de 31,5 mil milhões de euros à Grécia, em setembro, pertencente ao segundo empréstimo de 130 mil milhões acordado no inverno passado.

“O pacote de medidas que estamos a tentar elaborar visa a racionalização da despesa pública de uma forma justa para recuperar a nossa credibilidade”, explicou o ministro Stournaras.

O ministro espera que o país possa sair da grave recessão através da “aceleração das privatizações e das reformas estruturais”, reclamadas também pela ‘troika’.

Devido à falta de dinheiro e ao vencimento de uma obrigação do BCE a 20 de agosto, o vice-ministro das Finanças, Christos Staikouras, disse hoje que “entre as soluções alternativas que o governo está a estudar em cooperação com os credores, está o aumento da quantidade de títulos do tesouro que o país deverá emitir no mês de agosto”.

“A situação vai permanecer crítica até setembro, até à publicação do relatório da ‘troika’ sobre a economia grega”, acrescentou Staikouras ao diário Kathimérini, adiantando que espera que as conclusões de tal relatório sejam “positivas” para desbloquear a tranche do empréstimo esperada por Atenas.

Fonte do Ministério das Finanças disse à AFP, na quinta-feira, que a Grécia está a considerar a “emissão no valor de 6 mil milhões de euros” após acordo com o BCE.

Segundo o diário Elefthéros Typos, o primeiro ministro conservador Antonis Samaras, na liderança de um governo de coligação com os socialistas do Pasok e a esquerda democrática Dimar, estima que as novas medidas permitirão retomar as negociações com os credores para pedir uma nova moratória de dois anos, até 2016, para o ajustamento orçamental do país.

 Grécia precisa de mais tempo e de mais dinheiro para evitar a falência e permanecer na zona euro, mas terá de efetuar mais cortes na despesa

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