Há uma única vantagem na vitória da Nova Democracia: dá mais tempo à Zona Euro. Não precipita os mercados para o abismo. Não provoca mais pânico nos depositantes gregos, embora não os tranquilize. Também não apavora a Europa, o que já não é mau, é qualquer coisa. Por mais democratas que sejam os políticos do Syriza, aquilo é um cemitério de más ideias: maoístas, trotsquistas, castristas – a galeria dos horrores. Desta vez os gregos ainda não escolheram a opção mais desesperada e imprevisível – para eles e para o euro – mas à terceira será de vez. O resultado de ontem é uma espécie de tempo extra. Tempo extra para a classe politica grega encontrar (conseguirá?) um primeiro-ministro credível e forte. Tempo extra para a Nova Democracia formar uma coligação (conseguirá?) estável e equilibrada – não uma soma de velhos cromos – capaz de aguentar a pressão do populismo interno. Finalmente, tempo extra para encontrar espaço de manobra junto da bigorna cega da troika. Este último ponto é essencial: os gregos deram um sinal claro aos líderes europeus. Querem continuar no euro. Agora, a bola está do lado da srª Merkel. Não se trata de renegociar o memorando assinado com os gregos há menos de três meses. Mas de criar as folgas necessárias para, sem tirar o pé do acelerador, dar espaço ao crescimento. A receita da troika falhou. A espiral recessiva é evidente. Faltam remédios nos hospitais, o desemprego segue em trajetória descontrolada. Chegou o tempo de termos menos Alemanha e mais Europa.